quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A SAGA DE UMA LATINHA

Uma construção lítero-poético-humorística, dedicada a quem, (e só ela sabe quem), se destina.


Tantas, em número tal de impossível conta,
Como pude eu me ater a apenas uma latinha?

O importante não era aquela latinha,
Mas, a boca para onde ela se dirigia,
Ou melhor, era levada.

Contudo quero ainda ater-me à latinha,
Que um dia matéria prima foi,
Dentre tantas separadas,
Retirada da natureza,
Posta em pote, derretida em forno infernal,
Seguiu por muitos caminhos,
Laminada sob pressões incríveis,
Trefilada em máquinas imensas,
Até se transformar numa folha fina,
Para depois ser moldada em forma 'lata'.

Para muito e mais muitos..., serviria,
Porém, aquela foi direcionada à cerveja,
Coisa que não curto, e a isso não me alongo,
E nada de importante nisso vejo.

Eu, um dia também prima matéria fui,
Dentre tantos, não separado, ej... etado,
Se de alguma natureza era, por natureza,
Sem diluir-me busquei meu caminho,
Desenvolvi-me em múltiplos incríveis,
Formei-me em massa condensa,
Até me transformar em inteligência fina,
Para agora 'Poemar' em Sensu 'lato'.

Para muitos, muito em verso fiz,
Nunca pensei sobre latinha poetar,
Entretanto, outro caminho visto,
Fez-me uma grande inveja brotar,
De não ser conduzido como aquela latinha,
À 'Boca' aonde ela ia, ficava e saía.

É..., fiquei como bobo reparando os gestos,
Imaginando aquele gosto, não da latinha...,
Da boca que sorvia em goles, o conteúdo,
Uma visão primorosa pelo prazer percebido,
Da ingestão seqüente feita pela boca bárbara.

Foram algumas vezes que me embeveci,
Que segui os movimentos contínuos,
Até que num repente notei o descarte,
Da latinha que vazia não mais nada servia,
E jogada de lado, depois de amassada
A certo destino primal..., retornaria.

Desisti da inveja momentânea,
Desisti da atitude sucedânea,
Não pretendo depois de usado,
Acabar simplesmente descartado,
De lado posto e vazio de conteúdo,
Acabar sendo amassado,
E lançado a trágico destino final,
O que fatalmente..., aconteceria.

Chega!
Sou gente, e não uma latinha.

Mas a boca daquela mulher...,
O movimento que ela tem,
A pessoa que aquela mulher é,
Transforma qualquer coisa,
Mesmo simples em algo especial,
Aquela mulher é fenomenal.

Só que inegavelmente,
Naquele sorver de conteúdo,
Tinha algo diferente,

Ah..., isso..., lá tinha.

Olinto Simões.

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